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21/02/2011
Por: Portal G1

Pequenos empresários se inspiram no samba para faturar no Carnaval

Mercado se aquece com buzinas, chocalhos e sofisticadas fantasias.
Produtos atravessam fronteiras e atraem até clientes do exterior.

Do PEGN TV

 

O Carnaval agita a economia das cidades de todo o Brasil e as fantasias atravessam fronteiras. Além do confete e da serpentina, o mercado se aquece com buzinas, chocalhos, acessórios e sofisticadas fantasias. Para atender essa demanda, os pequenos empresários se inspiram nos sambistas e inventam novos passos para faturar o ano inteiro.

Gustavo Fuseto, gerente industrial de uma fábrica em São Paulo que produz artigos de plástico, diz que a meta é lançar de 5 a 10 produtos a cada Carnaval. “Em outubro de 2010 já começamos essa produção”, diz. Entre os 350 itens fabricados, 100 são voltados para a festa. São cornetas coloridas, reco-reco, pandeiro e apitos.

Para alcançar a meta, a empresa se reestruturou. Contratou 10 funcionários extras e investiu R$ 100 mil em equipamentos modernos e novos moldes. Com o aumento da tecnologia, a fábrica produz mais em menos tempo.

Para reduzir custos, o material descartado na linha de produção é reciclado. As sobras são trituradas em uma máquina, o plástico é derretido e ganha pigmentação. Em seguida, o material é resfriado em água e reaproveitado.

“Hoje no mercado uma resina qualquer está em média de R$ 5 a R$ 6 o quilo. Recuperando essa resina nós temos em torno de R$ 3,15 a R$ 3,80 o quilo. Além da vantagem de garantir a qualidade do meu produto”, explica.

Depois de pronto, cada produto passa por um rigoroso teste de qualidade e recebe o selo de certificação do Inmetro. Com as novidades deste ano, a empresa espera aumentar o faturamento em 10%. A fábrica vende para lojas de todo o país.

Destino
Em São Paulo, a maior parte dos clientes está na região da Rua 25 de março. Às vésperas do Carnaval, mais de 800 mil pessoas passam pelo endereço todo dia. Além das cornetas, chocalhos e martelões de plástico fabricados pela empresa, o público encontra muito mais.

A consumidora Jessica Salustiano, por exemplo, compra itens no local. “Vim [na 25 de março] comprar chapéu, arquinho, máscara, corrente que brilha. Tudo para levar lá para minha cidade para fazer festa”, diz.

O carnavalesco Vanderlei Bruneo é frequentador do endereço. “Todo ano a gente vem pra São Paulo porque aqui os preços são mais baratos”, afirma.

O empresário Pierre Sfeir está otimista. “A gente está aguardando este ano uns 40% de aumento de faturamento, se Deus quiser”, diz.

Ritmo acelerado
O empresário Adriano Bernardo produz em seu atelier fantasias de carnaval para escolas de samba de todo o país. Os tecidos são cortados e colados e os adereços costurados. O local trabalha em ritmo acelerado desde setembro.

Nesta época do ano, as vendas aumentam 50%. Para dar conta da demanda, Bernardo contratou 6 funcionários temporários e terceirizou parte da produção. O empresário também faz fantasias para shows, feiras e eventos.

“A gente costuma fazer em média umas 500, 600 fantasias em um ano. Agora, no período do Carnaval, já sobe pra 1.500 fantasias (...) A gente tem as costureiras fora, tem as pessoas que fazem a parte de adereços e aí é terceirizado esse trabalho”, diz.

Cada fantasia é confecionada com pedrarias, rabo de galo, fios de paetês, lantejoulas e cordões coloridos. Tudo é comprado em grande quantidade e com antecedência. Dessa forma, o empresário ganha desconto com os fornecedores e garante estoque de material.

“Hoje, com vários materiais alternativos, a gente pode ter um componente completo a partir de R$ 80. Agora se você pegar destaques, aí sim, tem fantasia que chega a R$ 20 mil, R$ 25 mil”, afirma.

O atelier existe desde 2001. Para montá-lo, Bernardo investiu R$ 30 mil na compra de máquinas de costura, tecidos e aviamentos. Hoje, a empresa fatura R$ 500 mil por ano e é conhecida entre os carnavalescos pela qualidade da mão de obra.

Mercado mundial
A criatividade e o cuidado dos artesãos em cada detalhe dão vida às fantasias. Cor, muito brilho e o acabamento perfeito das peças chamam a atenção do público. E esse carnaval luxuoso, que é a fórmula de sucesso aqui no Brasil, conquista cada vez mais mercado pelo mundo.

Bernardo atende cerca de 70 pessoas de 31 países por ano. David de Hilster, presidente de uma escola de samba em Los Angeles, nos Estados Unidos, é um deles. Há 4 anos, ele e a esposa Doris Gomes vêm ao Brasil para comprar as fantasias do empresário. Desta vez, o gasto com os figurinos será de US$ 10 mil.

“A gente vem realmente aqui bem cedo pra falar com eles sobre enredo e tudo e começa o nosso Carnaval aqui no Brasil levando o luxo daqui para lá. Porque tem apoio aqui, tem os artistas, tem a industria. Lá não tem”, explica Hilster.

A passista Carolina Martins Souza também é cliente do atelier. Todos os anos, Carolina desfila no Carnaval de São Paulo. Ela escolhe o figurino pela beleza, riqueza dos detalhes e acabamento. A fantasia custou R$ 1.200.

“Ele usa bastante rabo de galo. E não usa qualquer tipo de material. Ele usa o melhor do que tem no mercado (...). Então fica uma coisa muito glamorosa”, diz Carolina.

“O componente tem que colocar a fantasia e se sentir seguro, confortável principalmente. E esses, acho, que são os grandes requisitos hoje pra uma fantasia bem executada”, arrisca.