Brasileiros endividados têm, neste período de fim de ano, uma oportunidade para saldar suas dívidas. Veja na reportagem de Ricardo Soares.
Em cinco anos, a dívida da guardiã Neusa Maria Ribeiro com a operadora de celular passou de R$ 99 para mais de R$ 700: “E agora estou tentando ver se consigo pagar a dívida, pra tirar meu nome da lista”, ela conta.
O consumidor que acaba de receber a primeira parcela do 13° é o principal alvo das campanhas de negociação de dívidas. Em apenas meia hora, Sônia resolveu um problema que se arrastava há três anos: ela perdeu o emprego, e não conseguiu pagar as parcelas do aparelho de DVD. O resultado: ficou impedida de fazer crediário, e a dívida cresceu. “Na época estava R$ 600. Hoje eu consegui pagar por R$ 100”, diz.
Há casos de lojas que chegam a oferecer o perdão total dos juros. A aposta do comércio é que quem limpa o nome agora pode se tornar um cliente a mais no natal, a melhor época de vendas do ano.
Em capitais como Belo Horizonte, São Paulo e Manaus, logistas organizaram mutirões para incentivar os consumidores a negociar dívidas passadas. Na capital mineira, 12 mil pessoas vão tentar limpar o nome até sexta-feira.
Os economistas alertam que o passo seguinte deve ser o consumo consciente: “Hoje, nós estamos tendo uma solução que pode voltar a ser problema se as pessoas não se conscientizarem de que o juro é alto e que a melhor coisa na vida é saber ter uma vida financeira regrada”, explica a economista Rita Mundim.
O aposentado Romeu Coimbra, sem crédito na praça desde 2007, conseguiu descontar metade da dívida. E agora promete ser mais prudente na hora das compras: “A tentação sempre chega e bate na porta, mas, vamos tentar fazer mais esforço à vista”, diz.
Se depender de conselho, ninguém fica sem o presente de natal: “Eu, pelo menos, começo comprar Papai Noel pros meus netos é em outubro. Quando chega dezembro, já estou com tudo comprado”, conta a aposentada Marta Nogueira.
