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08/11/2010
Por: DCI - Comércio, Indústria & Serviços

Comércio eletrônico atrai fundo Tiger Global

SÃO PAULO - O fechamento em alta do terceiro trimestre deste ano no segmento de comércio eletrônico atrai mais grupos estrangeiros para o setor. Um exemplo foi a entrada do fundo de investimento Tiger Global no capital da Netshoes, uma das maiores lojas virtuais de artigos esportivos em operação no Brasil. A entrada, que mira eventos como as próximas Copa do Mundo e Olimpíadas, marca uma fase de fusões e aquisições no ramo varejista, como já aconteceu com Casas Bahia e Pão de Açúcar.

Em número de visitas, a Netshoes já é a terceira maior operação de comércio eletrônico do Brasil, atrás apenas da Americanas e do Submarino, que pertencem à B2W, segundo a empresa Comscore.

A Tiger Global, fundo de investimentos com sede em Nova York e foco em empresas de internet, recentemente pagou US$ 20 milhões por 1% do capital da Linkedin, uma rede social de contatos profissionais.

Segundo o consultor de comércio eletrônico (e-commerce) e professor da Universidade São Judas Francisco Medeiros, este é o novo foco de investimentos no País. "O Brasil é o lugar para se investir em e-commerce. O diferencial da Netshoes fica por conta das Olimpíadas e da Copa do Mundo, que deverão fortalecer a venda de produtos esportivos", enfatizou o professor.

Quem concorda com ele é o presidente da e-bit, Pedro Guasti, empresa que analisa o mercado no Brasil. "O e-commerce hoje é uma realidade brasileira em franca expansão. Investidores já notam a força do segmento, empresas já buscam se adaptar a essa novidade. Não é mais projeção, é uma realidade."

Os efeitos da Copa do Mundo que acontecerá em 2014 no Brasil já podem ser notados este ano. Um exemplo é a Netshoes, que depois de modificações deve crescer 15% acima do comércio eletrônico de forma geral, que tem taxas de expansão de 40%.

Outras varejistas também estão reforçando sua estrutura para a Copa.

A rede de artigos esportivos Centauro, por exemplo, contratou um novo executivo para o comércio eletrônico. E a Máquina de Vendas, fusão das redes de eletrônicos Ricardo Eletro e Insinuante, decidiu apostar em produtos esportivos em sua ponto -com, em antecipação ao mundial.

Resultados

Quem continua em alta no ramo é o MercadoLivre.com, empresa de tecnologia líder em comércio eletrônico na América Latina que registrou um crescimento de seu lucro líquido da ordem de 90,7% no terceiro trimestre de 2010 em comparação ao mesmo período do ano passado.

O valor atingiu US$ 18,8 milhões, enquanto no terceiro trimestre de 2009 foi registrado o volume de US$ 9,9 milhões.

Os bons resultados obtidos pelo MercadoLivre também estão representados pelo crescimento do número de usuários. A plataforma ultrapassou a marca de 50 milhões de cadastrados nos 13 países onde opera: Argentina, Brasil, México, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Chile, Equador, Peru, Costa Rica, República Dominicana, Panamá e Portugal.

 

No terceiro trimestre de 2010 foram negociados mais de 10,4 milhões de produtos no site - um incremento de 30,1% na comparação com igual período do ano passado, resultando em uma movimentação financeira de US$ 888 milhões.

"A chegada forte de investimentos amplos em diferentes segmentos do e-commerce aquece o mercado e acirra a disputa por novos consumidores virtuais, que vêm confiando cada vez mais na segurança do e-commerce", diz o professor.

Prova do aquecimento do mercado e do aumento da disputa por novos clientes on-line foi a queda de lucro líquido apresentado pela B2W, dona dos sites Submarino, Americanas.com e Shoptime, no terceiro trimestre. De acordo com números da empresa, o grupo obteve lucro líquido de 2,5 milhões de reais nos três meses encerrados em setembro, o que significa um recuo de 75% ante o ganho obtido um ano antes.

No demonstrativo de resultados, a companhia atribuiu o resultado especialmente aos ajustes a valor presente (AVP) de mercadorias que no ano passado tiveram impacto positivo sobre os números. Nos primeiros nove meses de 2010, o lucro líquido da B2W atingiu 11,8 milhões de reais, queda anual de 65%. Se excluído o efeito do AVP, o ganho no período está em R$ 14,1 milhões, recuo de 25%.De julho a setembro, a receita líquida da empresa ficou em R$ 1,01 bilhão, avanço de 8% sobre igual período do ano passado.

"Observa-se no terceiro trimestre um maior volume de descontos comerciais em relação ao mesmo período do ano passado, o que resultou em uma diferença entre as taxas de crescimento da receita bruta e da receita líquida", afirmou a B2W.

O resultado financeiro líquido foi negativo em 88,2 milhões de reais, 32% maior em relação ao resultado financeiro negativo de 66,9 milhões há um ano, também impactado pela reversão do AVP. Excluindo esses ajustes, o resultado financeiro líquido do terceiro trimestre aumentou 22% sobre o do ano passado.

A B2W registrou Ebitda (sigla em inglês de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 126 milhões no trimestre passado, aumento de 14% na comparação anual.

Para o professor Francisco Medeiros, o resultado negativo da B2W não representa necessariamente um cenário negativo no meio virtual. "O mais importante nessa nova fase do e-commerce não é a queda de desempenho da B2W, mas a entrada de gigantes como a Tiger."